
O dia estava tão quente que até a sombra do escorregador parecia pedir água. Da-dá, Má, Fael e Ju-ju corriam atrás de um vendendor de picolé com a musiquinha gostosa. O carrinho parou. Havia muitos sabores: manga, limão, chocolate… e um único picolé de uva roxinha no fundo da caixa.
"Eu quero o de uva!", gritou Fael. "Eu vi primeiro!", disse Ju-ju. Má cruzou os braços. Da-dá segurou o boné com as duas mãos, pensando duro. O vendendor esperou com um sorriso paciente.
Quatro amigos, um picolé
O silêncio durou três segundos — que pareceram três horas. Então Má teve uma ideia. "E se a gente pedir quatro copinhos e um picolé de uva para dividir em pedacinhos?". Fael franziu a testa. "Mas picolé dividido ainda é picolé?". Ju-ju riu: "É picolé de amizade!".
Combinado. Da-dá pagou com as moedinhas que a mamãe tinha separado para o lanche. O vendendor partiu o picolé com cuidado em quatro pedaços e colocou cada um num copinho. "Truque de verão", piscou ele. "Dividir esfria a briga."
"Amizade de verdade não derrete no sol." — repetiu Da-dá, achando que falava como um sábio de desenho animado.
A corrida contra o derretimento
Eles sentaram debaixo da árvore grande. Cada um inventou um jeito de saborear sem deixar o caldo cair:
- Má dava mordidinhas pequeninas e contava até cinco entre elas.
- Fael fazia cara engraçada cada vez que o gelo arrepia os dentes.
- Ju-ju segurava o copinho com as duas mãos, como um troféu.
- Da-dá observava as gotinhas e dizia: "Ciência do picolé: sol quente, caldo rápido!"
Quando o pedaço de Fael derreteu mais depressa, Ju-ju ofereceu meia colher do dela. "Troca justa: você me conta uma piada, eu te dou um gole roxo". Fael contou a piada do tomate que não sabia correr porque ficou vermelho de vergonha. Todos riram e o parque pareceu mais fresco.
O desafio da fila
Outras crianças chegaram ao carrinho. A Turma viu um menino chateado porque o sabor favorito tinha acabado. Má foi até ele. "A gente também quase brigou por um sabor. Quer experimentar limão com a gente no próximo dia?". O menino sorriu tímido e escolheu manga. Da-dá bateu na própria barriga: "Buchinho aceita novos amigos!".
No fim da tarde, as mãos estavam pegajosas e os corações leves. Eles aprenderam que querer a mesma coisa ao mesmo tempo não precisa virar empurrão. Dá para transformar pressa em plano.
Lição do buchinho
Na volta para casa, cantaram: "Picolé no copinho, amizade no corpinho!". Ju-ju guardou o palitinho limpo para reciclar. "Até o palito pode ter um segundo uso", lembrou, porque a mamãe falava de não jogar lixo no chão.
Dicas para pais em dias quentes
- Combine antes o orçamento do lanche para evitar frustração na fila.
- Se houver um único sabor favorito, pratique a divisão em voz alta.
- Leve um paninho ou lenço umedecido — picolé é alegria e também meleca.
- Use o momento para falar de espera, vez do outro e respeito ao vendedor.


